Ementas

GT 1: O conto de fadas e o maravilhoso literário: questões autorais

Coordenação: Cristina Casagrande (Doutoranda USP), Prof.ª Dr.ª Lígia Menna (UNIP/GPPLCCJ-USP) e Paulo César Ribeiro Filho (Doutorando USP)


Duas vertentes teóricas parecem divergir quando se trata da questão da autoria dos contos de fadas: sob a perspectiva oralista (ligada ao folclorismo), é muito comum considerar-se que essas narrativas não possuem autoria definida, que são oriundas da cultura popular e expressam mundividências universalizantes. Nesse sentido, aqueles que as registram passam a ser considerados “coletores” e não autores, como é o caso dos alemães Jacob e Wilhelm Grimm, do escocês Andrew Lang e do brasileiro Luís da Câmara Cascudo. Contudo, o ato de coletar, traduzir relato oral em registro escrito, bricolar e recontar também não implicaria em nuances de autoria? Por outro lado, temos a perspectiva textualista, que não desconsidera a potente interferência da literatura escrita no processo de estabelecimento do conto de fadas como gênero literário e propõe a análise detida de seus precursores modelares, com ênfase para a obra dos italianos Giambattista Basile e Gianfrancesco Straparola. Dessa forma, consideramos que as questões referentes à autoria continuam atuais e relevantes para os estudiosos da área. A partir do exposto, propomos uma sessão de comunicações em que essas questões sejam trazidas à discussão.

GT 2: Múltiplos olhares para a literatura infantil e juvenil africana de língua portuguesa

Coordenação: Dr.ª Avani Souza Silva (GPPLCCJ-USP) e Dr. Euclides Lins de Oliveira Neto (GPPLCCJ-USP)


O incremento de pautas afirmativas, do debate étnico-racial e as disposições da Lei 10.639/2003 são ações que contribuem para a formação de leitores não só de literatura infantil e juvenil africana, mas da própria Literatura africana de modo geral, e não apenas a de língua portuguesa. Considerando a temática africana essencial para a afirmação da nossa identidade cultural, este GT tem como propósito discutir a produção da literatura infantil e juvenil dos países africanos de língua portuguesa em suas diversas interfaces: oralidade, fontes populares, diálogos intersemióticos e literários, cultura, formação identitária, imaginário, questões de gênero e também aproximações e distanciamentos com as literaturas infantis e juvenis dos demais territórios do continente africano. Comunicações que enfoquem esses aspectos e que veiculem novas abordagens culturais, históricas e interartísticas serão muito bem-vindas para fertilizar o debate e a difusão da literatura africana de língua portuguesa destinada a crianças e jovens.

GT 3: Literatura infantil e juvenil e artes visuais

Coordenação: Dayse Oliveira Barbosa (Doutoranda USP), Goimar Dantas de Souza (Doutoranda USP), Kellen da Silva Nascimento (Mestranda USP), Dr.ª Priscilla Barranqueiros Ramos Nannini (GPPLCCJ-USP), Regina Célia Ruiz (Doutoranda USP) e Prof.ª Dr.ª Sandra Trabucco Valenzuela (FAM/FATEC/GPPLCCJ-USP)


Na aurora da consciência, o homem pré-histórico esboçava suas primeiras narrativas desenhando sobre as paredes de cavernas e sobre superfícies naturais, expressando suas atividades, seus ritos, seus medos e suas expectativas. Os mitos, contados ao redor das fogueiras, foram o despontar da tentativa de compreensão da vida e da morte em seus múltiplos aspectos. A escrita permitiu que narrativas orais e imagens fossem fixadas por meio da representação de signos linguísticos, constituindo a tradição da arte literária. Portanto, os fios da ficção estão intrinsecamente permeados pelo fazer e pelo olhar de outras artes, num diálogo indissociável. Como construto literário, os textos voltados para crianças e jovens estabelecem intertextualidades com manifestações artísticas em suas múltiplas interfaces. Nos termos de R. Barthes, no capítulo “A retórica da imagem”, “toda imagem é polissêmica e pressupõe, subjacente a seus significantes, uma cadeia flutuante de significados, podendo o leitor escolher alguns e ignorar outros. [...] A língua de imagem não é apenas o conjunto de palavras emitidas (por exemplo, ao nível do combinado dos signos ou criador da mensagem), é também o conjunto das palavras recebidas: a língua deve incluir as ‘surpresas’ do sentido” (1990: 32; 39). O presente GT convida a refletir sobre a interlocução entre literatura infantil e juvenil e a imagem, compreendidas como experiências com a ilustração, seja no livro impresso ou suportes digitais, artes plásticas, fotografia e produções audiovisuais.

GT 4: Livros para infâncias no século XXI: materialidades e autorias

Coordenação: Juliana Pádua Silva Medeiros (Doutoranda MACKENZIE/GPPLCCJ-USP), Prof.ª Dr.ª Patrícia Aparecida Beraldo Romano (UNIFESSPA/Pós-Doutoranda USP) e Prof. Dr. Cristiano Camilo Lopes (MACKENZIE)


A produção literária do século XXI, endereçada às infâncias, vem impondo grandes desafios conceituais e metodológicos aos pesquisadores, em especial, no que se refere às materialidades das obras publicadas, sejam elas em suportes impressos, digitais ou híbridos. Isso se dá pelo fato de que, cada vez mais, os projetos gráfico-editoriais têm explorado a tipografia, a cor, a textura, o som, o movimento, o formato, a montagem, o acabamento, a dobra, entre outros elementos constituintes, enquanto linguagens na construção dos sentidos. Esses complexos e inusitados arranjos sígnicos, que articulam palavra, imagem e design de forma imbricada, ampliam não apenas as possibilidades de significação, como se tem observado, mas também impactam as noções de livro, autor, leitor, leitura e mediação. Diante de tudo isso, neste GT, busca-se congregar tanto investigações acadêmicas quanto relatos de experiências, que circundam o universo das obras literárias, publicadas a partir dos anos 2000 para bebês e crianças, discutindo, por exemplo: as configurações estéticas dos livros contemporâneos (ilustrados, objetos, aplicativos e transmidiáticos); as materialidades como instâncias discursivas; os conceitos de autoria nas produções multissemióticas; os perfis leitores do século XXI; os processos de recepção dos livros interativos; os obstáculos colocados ao mercado editorial e ao mediador de leitura ao lidar com essas novas textualidades, entre outros.

GT 5: Infâncias em situação-limite: literatura, educação e humanização

Coordenação: Dr.ª Joana Marques Ribeiro (GPPLCCJ-USP), Luciana de Paula (GPPLCCJ-USP) e Luciane Bonace Lopes Fernandes (Pós-Doutoranda USP)


Este GT procura lançar um olhar reflexivo sobre a produção literária sob alguns aspectos principais: o primeiro considera produções resultantes de autoria infantil cuja situação de produção seja uma situação-limite (tal como a experiência de um estado de guerra, violência, abuso, fuga, migração, miséria, desastre natural ou resultante da ação humana entre outros); o segundo evidencia o trato literário dado à criança, enquanto personagem, submetida ao estado limite, enquanto porta-voz da experiência extrema da sobrevivência humana; o terceiro observa obras que tratam da situação-limite enquanto objeto mediador de práticas de ensino-aprendizagem, empregadas no contexto de sala de aula (seja esta presencial ou virtual). Todos os enfoques buscam solidificar bases de reflexão acerca da construção literária em termos de obra artística, autoria, educação, humanização, leitura e produção.

GT 6: As narrativas nas artes do palco: dança, teatro e literatura infantil e juvenil

Coordenação: Carolina Xavier (Doutoranda USP) e Selma Scuro (GPPLCCJ-USP)


As artes do palco, como o teatro, a dança, a performance e outras, têm ajudado a contar histórias desde os primórdios da civilização. Das “encenações” em volta das fogueiras para narrar perigos, aos holofotes dos teatros da Broadway, usar o corpo unido a outros elementos se torna uma ferramenta essencial para expressar e comunicar conteúdos. Essa expressividade vem se construindo ao longo dos tempos, por meio de um jogo em que o “ser e o não ser” revela os meandros de um labirinto de complexidades e dialogismos. Como bem afirma Peixoto: “Do primitivo instinto de ser outro, da necessidade do disfarce e do jogo lúdico, da vontade do homem de ver-se a si mesmo reproduzido, do ritual religioso ou profano, da magia e da mais primária imitação da natureza, o espetáculo ganhou dimensão própria.” (PEIXOTO, 1998, p. 22). Assim, as narrativas nas artes visuais do palco, dança, teatro e literatura infantil juvenil busca abordar, de forma interdisciplinar, como tais narrativas são construídas e impulsionadas pelas diversas formas da expressão, em que o próprio corpo se torna um meio de narrar. É de vital interesse desse GT, as formas de teatro, dança e outros voltados ao público infantil e juvenil, em que a composição múltipla de recursos se torna essencial para compor um imaginário rico e complexo. Assim, são pontos de partida de estudo deste GT as narrativas que são contadas por meio do teatro, da dança, da contação de histórias, da performance e outras expressões artísticas relacionadas à interação enredo-corpo-público, sobretudo os voltados para crianças e jovens, e tudo aquilo que ajuda a compô-las, como: figurino, cenário, iluminação, trilha sonora, atuação, direção, recursos tecnológicos em cena, etc.


GT 7: Imaginário contemporâneo e produções literárias e culturais para crianças e jovens

Coordenação: Prof.ª Dr.ª Maria Auxiliadora Fontana Baseio (UNISA/FRS), Prof.ª Dr.ª Maria Zilda da Cunha (USP) e Prof. Dr. Manoel Francisco Guaranha (UNISA/FATEC)


A revolução digital tem potencialmente transformado a vida humana, sobretudo em âmbito psíquico, social e antropológico, motivando-nos a buscar respostas para compreensão das complexidades que nos engendram. Nesse sentido, criam-se representações em todas as formas culturais de expressão humana, entre as quais as produções voltadas à recepção infantil e juvenil. Essas manifestações do imaginário em diferentes linguagens chegam a provocar reflexões críticas que vem reclamando investigações por parte dos estudiosos que se dedicam a pesquisar aspectos voltados à educação dos jovens nesta contemporaneidade. Este GT convida pesquisadores para a discussão de temáticas e problemáticas que envolvem obras destinadas a crianças e jovens, com vistas a perscrutar as formas como esse imaginário as engendra. Serão muito bem acolhidos estudos que se voltam aos processos criativos, intelectivos e receptivos que envolvem o universo da cibercultura, podendo ser abordados livros, filmes, HQ, games entre outras produções do universo artístico contemporâneo.